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Adeilson Salles

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09/02/2006 10:59
SURPREENDENDO A MORTE

A morte é a maior demonstração de nossa transitoriedade nesse mundo.
Diante dela sentimo-nos frágeis, impotentes, vulneráveis.
Difícil não é lidar com a nossa própria morte, mas sim, enfrentar a separação daqueles que amamos.
Principalmente quando contemplamos o corpo inerte de um filho ou de nossa mãe.
Na verdade, a morte é um grande convite da vida para avaliarmos o que estamos fazendo dela.
Mergulhados na vida material, passamos a maior parte do tempo, extasiados pelos prazeres que a vida física nos oferece, com isso, cultivamos hábitos desagradáveis, guardamos e alimentamos sentimentos infelizes.
Desejamos conquistar, ter, possuir, juntar.
Queremos tudo para nós, até mesmo aqueles que amamos desejamos possuir.
Somos na verdade criaturas deseducadas para o amor, confundimos amor com posse.
Com nossa mente, orbitando na maioria das vezes em torno do próprio umbigo, desejamos ser servido, raramente queremos servir.
Acumulamos lixos emocionais em forma de rancor e mágoas, transformando nossa mente em enorme caçamba de detritos psíquicos.
Esse comportamento contribui sobremaneira para turvar as nossas percepções e nossos olhos.
Tudo nos mágoa e aborrece, uma simples contrariedade pode transformar-se em mais um lixo emocional a ser acumulado.
E o tempo vai passando, e vamos deixando de lado as coisas mais simples, os prazeres da alma que nos fazem verdadeiramente felizes.
O lado mais cruel da morte não é a separação, mas o sentimento de que poderíamos ter feito mais pelo ente querido que retornou.
Fica sempre aquela sensação de que deveríamos ter falado do nosso amor, da importância daquela pessoa em nossa vida.
Perdemos muito tempo acumulando sentimentos putrefatos em detrimento das manifestações afetivas.
E quando a morte chega à dor e o desespero se instalam em nossos espíritos frágeis e infantis.
Por isso é urgente que surpreendamos a morte, antes que ela nos surpreenda.
Valorizemos as coisas simples, nossos relacionamentos, nossas amizades.
Vamos olhar mais nos olhos uns dos outros, vamos abraçar mais, beijar mais, amar mais.
Vamos fazer uma faxina mental através do perdão, atiremos fora de nossa mente e do nosso coração o rancor e a mágoa.
Não nos esqueçamos que o cultivo desses sentimentos ruins em nossa alma, traduzir-se-á no futuro em doenças degenerativas.
Portanto mãos a obra, deixemos que o amor fale por nós e através de nós.
E no dia em que morte vier nos buscar, ou levar alguém que amamos, que ela se surpreenda ao nos encontrar extenuados de tanto amar.
Sabemos que estamos aqui de passagem, tomemos nossa vida em nossas mãos e amemos cada vez mais.






enviada por Adeilson Salles






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