
02/02/2006 01:24
SOLIDÃO VIRTUAL
Hoje em dia é impossível alguém ficar isolado, sozinho.
São tantas as novidades e os meios de comunicação que a solidão parece ser coisa do passado.
A maneira pela qual as pessoas se comunicam são as mais variadas.
Eu poderia enumerar algumas como: MSN, torpedos, skype, e-mails, celular, orkut e etc...
Através dos recursos atuais as pessoas podem comunicar-se instantaneamente com todas as partes do mundo.
Já ouvi falar até mesmo de pessoas que se casaram, após um grande período de envolvimento virtual.
Outras pessoas se envolveram em grandes confusões reais, por causa de estranhos relacionamentos virtuais.
É interessante essa interação, mas nada substitui o contato humano, o olho no olho.
As pessoas relacionam-se com o mundo, mas não conseguem elaborar e alimentar um ótimo relacionamento dentro da própria casa.
O mundo virtual, permite que a pessoa represente um personagem que ela sonha ser, e que na realidade não é.
No mundo virtual a mulher feia fica linda, o estúpido torna-se inteligente, o gordo fica magro, e vai por ai a fora, até onde a imaginação permitir.
Em casa não conversamos com os que vemos, no mundo virtual, somos amáveis com quem mal conhecemos.
No mundo virtual tudo é bonito, no mundo real as coisas são mais difíceis.
No mundo virtual nós deletamos os que nos incomodam, já na vida real, somos obrigados a aturar os parentes difíceis.
Maridos traem esposas virtualmente, não se dá conta de que trai a si próprio, enganando-se, crendo-se feliz.
Esposas traem maridos, continuam a sonhar com um príncipe, pois, o marido verdadeiro tornou-se um grande e chato sapo.
No mundo virtual o introvertido transforma-se em tagarela virtual, o recatado em tarado, o enrustido se mostra tal qual é.
O violento transmuta-se em pacifico, o santo em pecador, o marginal em anjo, o anjo em profano.
Na verdade apesar das novidades tecnológicas, estamos procurando pessoas, procuramos gente, mãos, braços, abraços, beijos carinhos, mas acima de tudo, procuramos ouvidos e bocas.
Bocas que conversem conosco, ouvidos que nos ouçam.
Por mais que o virtual nos fascine, nada substitui o real, nada substitui o cheiro de gente, a presença das pessoas em nossa vida.
No virtual nós procuramos o real, o real que desejamos e que não encontramos.
O que podemos perceber nisso tudo, é a necessidade profunda que temos de aprender a nos relacionar.
Precisamos nos amar, isso é real, o resto é fuga.
Não podemos continuar a fugir de nós mesmos, a fugir das pessoas.
enviada por Adeilson Salles
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