
25/02/2006 00:20
COBRANÇA AFETIVA
Não existe nada mais chato do que receber cobrança. Você concorda?
Escrevo esta semana sobre outro tipo de cobrança que as pessoas fazem, não as financeiras.
Falo das cobranças de atenção, de amor, de afeto.
Cobrar sentimentos e atenção das pessoas é muito desagradável.
Corre-se o risco de experimentar terríveis sofrimentos e amargar decepções.
Por vezes cobramos dos outros, o que nós próprios ainda não podemos ofertar.
As relações sinceras e honestas devem fluir naturalmente, nada de forçar a barra.
Nada de querer que as pessoas gostem da gente, do jeito que nós gostamos delas.
Se cobramos afeto e atenção, na verdade estamos querendo trocar, barganhar.
Sentimento sincero não é mercadoria de troca.
Ele brota em nosso coração naturalmente, tranqüilamente.
Podemos considerar a cobrança de sentimentos e atenção, como enfermidade da alma.
Os sentimentos que podemos ofertar as pessoas, são aqueles que já amadureceram dentro de nós através de relacionamentos honestos e equilibrados, isso leva tempo.
Não se pode dar o que não se tem.
Às vezes as cobranças escondem o ciúme e o desejo de tomar as pessoas para nós, como mercadorias.
O que pode ser mais gostoso do que ouvir de alguém: Vim aqui lhe ver porque estava morrendo de saudade.
É bem melhor do que exigirmos a presença das pessoas em nossa vida.
As cobranças ao longo do tempo, vão gerando a antipatia das pessoas para conosco.
E certamente a solidão será o destino daqueles que exigem respeito e carinho.
Se a cobrança financeira é desagradável, a afetiva é bem pior.
A pessoa feliz é mais desprendida com relação à posse material e a liberação daqueles que afirma amar.
Libertar afetivamente é amar sem cobrar, é dar amor sem exigir amor.
A cobrança afetiva denota acima de tudo, nossa condição de obsessores uns dos outros.
A cobrança afetiva é uma corrente invisível que aguilhoa o coração imaturo, aos grilhões pesados do amor posse.
Aquele que se acha no direito de cobrar atenção dos outros vive infeliz, pois se acredita um eterno credor da atenção alheia.
Um dia teremos adotado em nosso comportamento a postura de que todas as pessoas fazem parte da nossa família.
Com isso entenderemos a necessidade de sermos solidários uns para com os outros.
Assim extirparemos de nosso coração o amor posse, que nos transforma sem que percebamos em criaturas solitárias.
enviada por Adeilson Salles
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